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Curso de Linguística Histórica 2º Semestre de 2014 (FLL 0443) 5. MUDANÇA MORFOLÓGICA Prof. Curso de Linguística Histórica 2º Semestre de 2014 (FLL 0443) 5. MUDANÇA MORFOLÓGICA Prof. Thomas Finbow Departamento de Linguística (FFLCH/USP)

A REANÁLISE v Esta aula examina a mudança morfológica, ou seja, adaptações na estrutura A REANÁLISE v Esta aula examina a mudança morfológica, ou seja, adaptações na estrutura morfológica de itens léxicos e de formas flexionadas, e a evolução de sistemas morfológicas inteiros. v A REANÁLISE é a forma mais simples em que a mudança morfológica se manifesta: v Uma palavra que era analisada como um item que apresentava uma determinada estrutura morfológica passa a ser percebida pelos falantes como uma ocorrência de uma estrutura distinta da primeira ocorrência. v Biquíni (1 morfema não-analisável) = nome de um atol no Oceano Pacífico onde os Estados Unidos realizou vários testes atômicos nos anos 60. v → Reanalisado como uma palavra composta de 2 morfemas: v v bi- “dois”, “bi-” + quíni “roupa de banho”, ou seja, uma roupa de banho de duas peças”. A existência de biquíni estimulou a invenção de outras palavras parecidas: → mono- “um”, “mono-” + quíni > monoquíni “biquíni sem a peça superior”. Lat. , minimum = min- “pequeno” (cf. , ingl. , minor “menor”, minus “menos”) + -mi(superlativo) + -um (desinência flexional). v Miniature (“miniatura”) provocou a reanálise de minimum como se a palavra fosse composta de dois morfemas em lugar de três: v v mini- “muito pequeno” + -mum (flexão sem significado) → O prefixo novo mini- com o significado de “muito pequeno” começou a ser acrescentado a outros substantivos, p. ex. , miniskirt “minisaia”, minicar “o mini”. . .

A METANÁLISE v v Artigo indefinido em inglês: v Artigo indefinido em francês: v A METANÁLISE v v Artigo indefinido em inglês: v Artigo indefinido em francês: v (masc. ) un [œ ] /_+#C /_+ #V v a / _+#C x an /_+#V X[œ n] (fem. ) une [yn] v Árabe: nāranj “laranja” > v esp. una naranja, ptg. , uma laranja → v Ingl. med. , a norange [ə'nɒ. ɹɪnʤə], v Fr. med. , un norange [œ. no'ɾɑ. ʤə] > v Ingl. med. , a naddre “víbora” > v Ingl. mod. , an adder. v Ingl. med. , a napron “avental” > ingl. mod. , an apron. v v Fr. mod. , un orange [œ n. o'ʀɑ ʒ], Ingl. med. , a noumpere “juiz”, v “árbito” > ingl. mod. , an umpire. v Ingl. mod. , an orange [ən'ɒ. ɹɪnʤ]. Ingl. med. , an ewt “tritão”, v “salamandra aquática” > ingl. mod. , a newt. v O unicórnio = Lat. “chifrado”. + -cornu “chifre”, tard. , uni- “um”, “uni-” Ingl. med. , an ekename “apelido” > v ingl. mod. , a nickname. v Fr. mod. , la licorne “unicórnio”: Fr. med. , unicorne [yn(ə). y. ni'kor. nə] une > (haplologia) > une icorne [yn. i'kor. nə] (+ art. def. ) l’icorne [li'kor. nə] > la licorne, une licorne. =

UM CASO DE METANÁLISE EM BASCO (Descoberto pelo linguista holandês Rudolf P. G. de UM CASO DE METANÁLISE EM BASCO (Descoberto pelo linguista holandês Rudolf P. G. de Rijk, 1995) v Basco antigo 1: *dan “agora”. v Basco antigo 2: *dan “agora” & orain “agora” v v Orain < lat. , hora “hora” + sufixo basco -in “a”, “em”, ou seja, orain = lit. , “na hora”, cf. ptg. mod. , agora < lat. , hāc hōrā “nesta hora” ). Com freqüência, o basco forma palavras compostas copulativas (composições dvandva, ou seja, palavras compostas em que os dois elementos são núcleos do sintagma nominal), p. ex. , v Zuribeltz “preto-e-branco”, “alvinegro” (lit. , preto-branco). Aitamak “pais” (lit. , “pais-mães”). v orain + dan > oraindan (lit. , “agora-agora”), talvez “agora mesmo”. v No basco antigo, qualquer advérbio de tempo poderia receber o sufixo –dik “de”, “desde”: v Oraindandik “de agora” > oraindanik “a partir de agora” (NB /-nd-/ > (/-nn-/) > /-n-/). v *dan desaparece da língua e, consequentemente, a estrutura morfológica dessa palavra composta se torna opaca à análise dos falantes por desconhecerem *dan. v Orain + dan + -dik “agora” + “desde” > REANÁLISE > v Orain + -danik (radical “agora” + sufixo “desde”, “a partir de”). v Esse novo sufixo -danik ocorre com qualquer advérbio de tempo: orduan “então”, iaz “ano passado” > orduandanik “desde então”, “a partir de então”; iazdanik “desde o ano passado”.

A REANÁLISE SEM A PERDA DE ELEMENTOS v A reanálise pode acontecer sem que A REANÁLISE SEM A PERDA DE ELEMENTOS v A reanálise pode acontecer sem que um dos elementos desapareça. v O linguista americano Ronald Langacker (1977) estudou um caso de “reanálise sem perda” nos pronomes reflexivos num grupo de línguas uto-astecas do sudoeste dos Estado Unidos. v Aparentemente, a forma ancestral das línguas uto-astecas havia um elemento reflexivo *na, que não aparecia sozinho, mas ocorria em frases mais compridas. v Por exemplo, na língua uto-asteca ancestral, a frase “ele está trabalhando sozinho” era expressada com DUAS frases “ele está trabalhando; ele está sozinho”: v No uto-asteca ancestral: v *pɨ-na-kʷa-yɨ “ele-si-por-está” (4 morfemas) v “ele + si + por (ou seja, “só(zinho)” + está.

REANÁLISE SEM PERDA (cont. ) v Nenhum desses morfemas desapareceu. Entretanto, Langacker conseguiu demonstrar REANÁLISE SEM PERDA (cont. ) v Nenhum desses morfemas desapareceu. Entretanto, Langacker conseguiu demonstrar que os quatro morfemas originais foram reanalisados como dois: {pɨ-} + {-nakʷayɨ}. v As línguas uto-astecas são posposicionais, ou seja, a ordem é Núcleo + Complemento. Assim, {pɨ-} foi reanalisado como “si” e o resto ({-nakʷayɨ}) foi interpretado como uma posposição que significava “com” ou “por”. v A evidência que comprova que a reanálise ocorreu deste modo está no ramo númico das família uto-asteca: {pɨ-} atualmente é o pronome reflexivo padrão (ou seja, “se”). {-nakʷayɨ/}desapareceu. v Contudo, em outros subfamílias uto-astecas, a reanálise ocorreu de outra maneira. v Em tarahumara, a sequência inteira (/pɨ+na+kʷa+yɨ/) foi convertido em um pronome intensivo “(ele) mesmo”, que se transformou no pronome reto da 3ª pessoa do sing. (ou seja, “ele”), embora tenha sofrido uma série de modificações fonológicas que fizeram com que, hoje, sua forma é /binoj/.

REANÁLISE DE MORFEMAS DE UMA PALAVRA PARA OUTRA v O exemplo de metanálise em REANÁLISE DE MORFEMAS DE UMA PALAVRA PARA OUTRA v O exemplo de metanálise em an ewt > a newt mostra como as divisões morfológicas podem ser alteradas para que um segmento mude de um morfema a outro (nesse caso, do início do substantivo ao fim do artigo indefinido). v Entretanto, a reanálise pode ser mais drástica do que isso: v v Por exemplo, o basco antigo não distinguia os pronomes interrogativos dos pronomes indefinidos (isso é bastante comum nas línguas do mundo). v v Zer = “que? ” e “algo”. “Quem vem? ” = *nor dator? X “Alguém vem” = *nor bait-dator. “Quem está trazendo-o? ” = *Nor-k dakar? X “alguém está trazendo-o” *Nor-k bait-dakar. *Nor bait-dator > REANÁLISE > nor-bait dator (prefixo verbal > sufixo pronominal): v v X O basco marca o sujeito de um verbo transitivo com o sufixo –k: v v Nor = “quem? ” e “alguém” Quando uma dessas palavras era o sujeito de um verbo, o significado indefinido era marcado no verbo pelo prefixo bait-: v v É possível que um morfema inteiro seja transferido de uma palavra a outra. nor “quem? ” X norbait “alguém”, zer “que? ” X zerbait “algo”. Inicialmente, é possível que essas novas formas pronominais se tenham flexionado de uma maneira curiosa, p. ex. , por infixação, nor-k-bait e zer-k-bait, mas essas formas atípicas provavelmente fossam reanalisados conforme as normas flexionais da língua (prefixação e sufixação) para produzir as formas do basco moderno: v Norbait-ek dakar “alguém está trazendo-o”.

A ANALOGIA v Imaginem que três verbos novos entram na língua portuguesa: zifir, zoter A ANALOGIA v Imaginem que três verbos novos entram na língua portuguesa: zifir, zoter e zaxar. v Como vocês formariam a terceira pessoa do singular do pretérito desses verbos? v E a terceira pessoa plural? v E os imperativos? v Zif- -iu. - Zif- -iram. - Zife. - Zifi. v Zot- -eu. - Zot- -eram. - Zotei v Zax- -ou. - Zax- -aram. - Zaxai. v E as demais formas? v A técnica pela que vocês conseguem produzir essas formas plausíveis sem esforço algum é a ANALOGIA. v O modelo para a formação desses verbos apresentados acima é tão comum e tão regular que constitui uma regra da gramática portuguesa, uma das muitas regras que vocês internalizaram ao aprender a falar. v Entretanto, os falantes criam formas (verbais, nominais, adjetivais, etc. ) nas quais invocam analogia com um número mais restrito de formas já existentes, talvez apenas uma dúzia ou duas, ou até uma só forma. v Essa analogia é muito frequente e constitui um processo muito poderoso na mudança linguística em geral, mas especialmente nas alternâncias morfológicas.

OCTOPUS : OCTOPI, OCTOPODES? OU OCTOPUSES? A CRIAÇÃO ANALÓGICA EM INGLÊS v Em inglês OCTOPUS : OCTOPI, OCTOPODES? OU OCTOPUSES? A CRIAÇÃO ANALÓGICA EM INGLÊS v Em inglês há uma classe de substantivos derivados v do latim: v v Radius ['ɹe ɪ. dɪ. ʊs] “rádio [de um círculo]”. v v Cactus ['kæk. tʊs] “cacto”. Succubus ['sʌ. kjuː. bʊs] “súcubo”. Esses substantivos formam seus plurais seguindo o modelo latino e, portanto, são irregulares em termos do sistema típico do inglês (<-(e)s> [-s, -z, -ɪz]): v v Succubi ['sʌ. kjuː. bɑ ɪ] “súcubos”. v ANALOGIA PROPORCIONAL TETRAPARTIDA. v OUTROS PROCESSOS SEMELHANTES: v ou ANALOGIA Ingl. med. , /w/ > 0 / s_o, p. ex. , [swɔɹd] > [sɔːd] v Porém, swore [swɔː] e swollen [swə ʊln ] não apresentam essa mudança. v Há duas possibilidades para explicar o que ocorreu com essas palavras: v MANUTENÇÃO ANALÓGICA: Modelo latino: v singular <-us> [ʊs]: plural <-i> [ɑ ɪ]. v v Octopus ['ɒk. tə. pʊs] “polvo” é singular. v Para muitos falantes do inglês, o plural de octopus é v octopi ['ɒk. tə. pɑ ɪ]. Entretanto, na realidade, octopus não é um empréstimo do latim; a palavra veio do grego e seu plural em grego é octopodes! Os infinitivos ou presentes desses pretéritos / particípios, swear [swɛə], swell [swɛɫ] impediram a mudança. RESTORAÇÃO ANALÓGICA: v v Cactus : cacti : : octopus : . . . ? v Radii ['ɹe ɪ. dɪ. ɑ ɪ] “rádios”. v v Cacti ['kæk. tɑ ɪ] “cactos”. O comportamento do falante: Ingl. med. , swore [swɔɹə] e swollen [swolən] > [sɔɹə] e [solən] > [w] foi restaurado, conforme o modelo dos infinitivos / tempo presente [swɛːɹ] e [swɛɫ] > ingl. mod. , [swɛə] e [swɛɫ]

ANALOGIA NA HISTÓRIA DO PRETÉRITO PORTUGUÊS v Infinitivo: -AR : 1ª p. sing. pret. ANALOGIA NA HISTÓRIA DO PRETÉRITO PORTUGUÊS v Infinitivo: -AR : 1ª p. sing. pret. –ei / infinitivo: -ER, -IR : 1ª p. sing. pret. –i): v Português moderno: Português medieval: v Escrever : escrevi Rir : ri Escrise < lat. , SCRĪPSĪ Rise < lat. , RĪSĪ v Destruir : destruí Meter : meti Destruxe < lat. , DESTRŪXĪ Mise < lat. , MĪSĪ v Sorrir : sorri Sorrise < lat. , SUBRĪSĪ v Dicĕre : dīxī > dizer : disse e trahĕre : traxī (> *troxī) > trouxe (cf. esp. ant. , troxe & esp. mod. , traje). v Esse modelo ficou bastante produtivo → v quaerĕre : quaesīvī > querer : quis(e) “quis”. v prehendĕre : prehendī > prender : prise “prendi”. v apprehendĕre : apprehendī > aprender : aprise “aprendi”. v HABĒRE : HABUĪ > haver : houve SAPĔRE : SAPUĪ > saber : soube v Iacĕre : iacuī > jazer : jougue (“jazi”) placĕre : placuī > (a)prazer : (a)prougue (“aprazi”) → v v Stāre : stetī > estar : estove (> estar : estive) Attribuere : attribuī > atrever : atrove (> atrever : atrevi) v Sedēre : sēdī > seer : sove (> ser : fui) v v Credĕre : crēdidī > crer : crove (> crer : cri) Tenere : tenuī > ter : tove (> ter : tive) Ambitāre : ambitāvī > andar : andove (> andar : andei) (cf. esp. mod. , andar : anduve ~ andei) PONERE : PŎSUĪ > pôr : pus(e) → respus(e) “respondi” (lat. , respondī)

O PARADOXO DE STURTEVANT v Com frequência, a mudança fonológica regular rompe os paradigmas O PARADOXO DE STURTEVANT v Com frequência, a mudança fonológica regular rompe os paradigmas flexionais regulares, mas, simultaneamente, as pressões da analogia tende a manter ou restaurar esses paradigmas regulares. v Isso gera um conflito fundamental entre a mudança fonológica e a analogia. v A MUDANÇA FONOLÓGIA É TIPICAMENTE REGULAR, MAS ELA PRODUZ IRREGULARIDADE. v A ANALOGIA É NATURALMENTE IRREGULAR, MAS ELA PRODUZ REGULARIDADE.

O NIVELAMENTO ANALÓGICO v Lat. , /á/ > Fr. ant. , [ai] (ditongação da O NIVELAMENTO ANALÓGICO v Lat. , /á/ > Fr. ant. , [ai] (ditongação da vogal tônica) > Fr. mod. , [ɛ] v Lat. , /a/ > Fr. ant. , [a] (não houve ditongação): v PESS. LAT. CLÁS. LAT. TAR. FR. ANT. FR. MOD. v 1ª sing. ámō ámo aime [ɛm] v 2ª sing. ámās ámas aimes [ɛm] v 3ª sing. ámat aimet aime [ɛm] v 1ª pl. amā mus amáms amons aimons [ɛ'mõ] v 2ª pl. amā tis amádes > amáiz > amez > v 3ª pl. ámant aiment aimez [ɛ'me] aiment [ɛm]

MAIS UM EXEMPLO DE NIVELAÇÃO v lat. pré-clás. , /s/ > ([z] >) [r] MAIS UM EXEMPLO DE NIVELAÇÃO v lat. pré-clás. , /s/ > ([z] >) [r] / V_V : v Flōs (nom. sg. ) : flōsis (gen. sg. ) : flōsēs (nom, ac. pl. ) > v MUDANÇA FONOLOGICA (/s/ > [z] / V_V, [z] > [r] > flōs : flōrem : flōris : flōre : flōrēs. v Honōs (nom. sg. ) : honōsem : honōsis (gen. sg. ) : honōse (abl. sg. ) : honōsēs (nom, ac. pl. ) > v MUDANÇA FONOLÓGICA > honōs : honō[z]is > honō[r]is ~ honō[z]e > honō[r]e ~ honō[z]ēs > honō[r]ēs > NIVELAMENTO ANALÓGICO: honōrem : honōris : honōrēs. v Sustantivos latinos que sempre exibiam /r/ no nom. sing. : v labor (nom. sg. ) : labōris (gen. sg. ) : labōrēs (nom, ac. pl. ). v gladiātor : gladiātōris : gladiātōrēs. v amor : amōris : amōrēs. v cultor : cultōris : cultōrēs. v pistor : pistōris : pistōrēs.

OUTROS EXEMPLOS DE NIVELAMENTO v O germânico antigo sofreu duas mudanças: v v (1) OUTROS EXEMPLOS DE NIVELAMENTO v O germânico antigo sofreu duas mudanças: v v (1) /s/ > [r] / _V v v v (rotacismo diante de vogais tônicas) v cēosan [z] ~ choose [z] v v Pret. sing. , cēas [s] ~ chose [z] v lose [luz] frēa[s] fro[z]e lēa[s] lost [lɒst] fru[r]on fro[z]e lu[r]on lost [lɒst] gefro[r]en fro[z]em gelo[r]en lost [lɒst] O nivelamento da paradigma lose-lost é apenas parcial, porque ainda exibe algumas formas arcaicas com /r/, ou seja, existe o adjetivo lorn (< particípio (ge)loren), p. ex. : Pret. pl. , curon [r] ~ chose [z] v v Inf. , lēo[z]an v v free[z]e v Essas mudanças provocaram alternâncias complexas no radical de certos verbos: frēo[z]an v (2) Mais tarde, todos os casos de /s/ intervocálica restante que não haviam sido convertidos em [r], se tornaram [z]. Ingl. ant. , cēosan ~ ingl. mod. , to choose (“escolher”): Ingl. ant. , frēosan ~ ingl. mod. , to freeze (“congelar”) e ingl. ant. , (for)lēosan ~ ingl. mod. , to lose (“perder”): v Lovelorn “[o amante] desprezado”, “suspirando de amor” (originalmente “perdido de amor”). Part. , gecoren [r] ~ chosen [z] v A lone, lorn figure “uma figura sozinha e desolada”. A única exceção no inglês moderno é o verbo to be (“ser”): v forlorn “abandonado”, “desamparado” (originalmente o particípio do verbo prefixado forlose < forlēosan). v Pret. , sing. , was : pret. pl. , were.

A OUTRA FACE DA MOEDA v O cognato do inglês antigo cēosan no alto A OUTRA FACE DA MOEDA v O cognato do inglês antigo cēosan no alto alemão antigo era kiusan “escolher”: v Infinitivo, v Pretérito singular, kōs [s] > kor v Pretérito plural, kurun [r] > koren v Particípio, kiusan [z] > alem. mod. , gikoran [r] > küren (arc. ) gekoren v Outros exemplos: v Frieren “congelar” – fror, froren, gefroren, v cf. , ingl. mod. , freeze, frozen. v Verlieren “perder” – verlor, verloren. v cf. , ingl. mod. , lose, lost (lorn). v Ou seja, o alto alemão antigo “preferiu” generalizar a variante com /r/ (ou seja, o radical da reorganização era o pretérito plural e o particípio) e não a variante com /z/ (infinitivo e pretérito singular), como foi o caso com o inglês antigo.

v “Contaminação”: v v Uma mudança irregular na forma de uma palavra sob a v “Contaminação”: v v Uma mudança irregular na forma de uma palavra sob a influência de uma outra palavra com que a primeira está associada de alguma maneira, e. g. , male : femelle > male : female; overt (< fr. , ouvert “aberto”) e é oxítono. Contudo, covert é só uma variante da palavra (particípio) covered “coberto” e, antigamente, era pronunciada da forma correspondente (ou seja, covered é paroxítono – ['kʌ. vɜd] ~ ['kʌ. vəd] – e covert também era). Entretanto, o uso frequente dos dois termos como antônimos resultou numa mudança no posicionamento do acento tônico em covert, que se deslocou para a última sílaba. Hoje, a maioria dos falantes pronunciam covert como se rimasse com overt. Os numerais são especialmente susceptíveis à contaminação, p. ex. , em latim, “nove” teria sido **noven (com uma nasal coronal), se tivesse evoluído regularmente; porém achamos a forma novem (com nasal bilabial), que surgiu sob a influência do numeral seguinte, decem. v Em russo e em lituano, o numeral para “nove” deveriam ser **nevyni e **nevyat’, respectivamente, mas achamos devyni e devyat’, novamente, sob a influência de “dez” (dešimt e desjat’). v Em basco, bederatzu “nove” (que foi preservado nos dialetos do leste) se tornou bederatzi na maioria dos outros dialetos, sob a influência de zortzi “oito”. v O francês antigo tinha duas palavras para dizer “habitante nativo” – citeien e denzein – o primeiro adquiriu um /z/ em francês normando do segundo e o segundo adotou um /i/ do primeiro, ou seja, citesein e denisein (> ingl. mod. , citizen “cidadão” e denizen “habitante”, “morador”).

v Hipercorreção: v ocorre quando um falante tenta ajustar a sua linguagem ou seu v Hipercorreção: v ocorre quando um falante tenta ajustar a sua linguagem ou seu sotaque na direção de outra variedade que é percebid como mais prestigiosa do que a variedade nativa do falante, mas ele acaba exagerando a aplicação do ajuste: v Inglês britânico → inglês americano: “acrescenta /r/ pós-vocálico”: dark, court – [dɑːk] → [dɑɹk], [kɔːt] → [kɑɹt]. . . Avocado > avoca. Rdo. v inglês americano → inglês britânico: “converter /uː/ em /juː/”: v new [nuː] X [njuː], . . . do [duː] > [djuː] (dew “orvalho”!) v Ingl. med. , “trono” = trone [troːn] (< fr. < gr. , thronos) → ingl. mod. , throne [θɹə ʊn] ( etimológico para indicar a origem grega que a pronúncia da fricativa interdental veio depois. v Isso pode dar errado, p. ex. , author ['ɔːθə] (< fr. ant. , autour (> fr. mod. , auteur), ou seja, não vem do grego, mas, aparentemente, a forma ortográfica estimulou a pronúncia com a fricativa interdental, embora nunca tivesse nada do grego.

AS SEIS “LEIS” DE ANALOGIA DE JERZY KURYŁOWICZ (1947) [1] (1) Uma marcação COMPLEXA AS SEIS “LEIS” DE ANALOGIA DE JERZY KURYŁOWICZ (1947) [1] (1) Uma marcação COMPLEXA substituirá uma marcação SIMPLES: v Alto alemão antigo: v Gast “hóspede” / gasti “hóspedes” > gast / gesti. v > alt. alem. mod. , Gast – Gäste (marcação plural dupla: umlaut + sufixação). v Boum “árvore” / bouma “árvores” (marcação simples – sufixação) > v alt. alem. mod. , Baum – Bäume (marcação plural dupla: umlaut + sufixação). (2) Uma forma DERIVADA é adaptada para torná-la mais TRANSPARENTE FORMALMENTE e especialmente aproximá-la às formas simples das quais é derivada: v Basco: v Basc. ant. , ardi “ovelha” + ile “pêlo” > *ardi-ile “lã” > basc. mod. , artile (analogia) > ardi-ile.

AS SEIS “LEIS” DE KURYŁOWICZ [2] (3) Uma forma composta transparentemente de um radical AS SEIS “LEIS” DE KURYŁOWICZ [2] (3) Uma forma composta transparentemente de um radical mais um afixo servirá como modelo para reformar as formas nas quais a estrutura de radical + afixo não é transparente. v Inglês: (analogia) > v Non / nun (onde? ) = [no-], [nu-] (radical interrogativo) + [-n] (flexão do caso locativo). / nunbait “nalgum lugar” não termina em –n, cf. neman “aqui”, orduan “então”, etxean “na casa”. v Nonbait ocidental: nunbait + -en. v v Brother (sing. ) / brethren (pl. ) > Basco: v Basc. (4) Quando uma forma sofre uma reforma analógica, a forma nova ocupará a função primária e a forma antiga fica apenas em funções secundárias. nunbait > v Brother / brother + -s “irmão(s)” v Brethren monástica”). (“comunidade v **”I have two brethren, Michael e Paul”. v Hus “casa” + wif “mulher” > huswif “dona de casa” > hussy > [analogia] > housewife “dona de casa” + hussy “moça levada”, “sapeca” (pejorativação semântica)

AS SEIS “LEIS” DE KURYŁOWICZ [3] (5) Para reestabelecer uma DISTINÇÃO DE SIGNIFIC NICA AS SEIS “LEIS” DE KURYŁOWICZ [3] (5) Para reestabelecer uma DISTINÇÃO DE SIGNIFIC NICA CENTRAL, a língua RENUNCIA uma outra distinção, tida como menos relevante. v Lat. clás. , (2ª declinação): Singular Plural (6) Uma FORMA NATIVA pode ser REFORMADA sob a INFLUÊNCIA de uma FORMA NÃO-NATIVA, especialmente se essa variedade for MAIS PRESTIGIOSA do que aquela. O basco possui um sufixo –tasun para criar substantivos abstratos: v mūrus m ū rī v Acu. , mūrum m ū rō s v Bakartasun “solidão” v Gen. , m ū rī mūrōrum v (< bakar“sozinho”). v v Nom. , Dat. , Abl. , m ū rō m ū rī s v Edertasun “beleza” v (< eder “belo”). Mudanças fonológicas regulares resultaram nas seguintes formas no francês antigo: v Singular Plural . v Nom. , murs Acu. , mur Nom. , mur Acu. , murs. v Nesta classe de substantivos, não havia uma distinção sistemática entre singular e o plural, nem entre o nominativo e o acusativo. v Para manter a distinção de número, a língua abandonou a distinção de caso que geralmente podia ser reconhecido pela posição da palavra relativo ao verbo. As formas acusativas foram generalizadas: singular mur e o plural murs. v Mas, o basco também adotou alguns substantivos abstratos do espanhol que terminam em –dad e –dura e alguns falantes (muitos deles bilíngues) tem assimilado esses sufixos espanhóis para formar substantivos abstratos bascos a partir de radicais nativos em lugar de – tasun, p. ex. , baskardade “solidão”, ederdura “beleza”.

AS NOVE “TENDÊNCIAS” DA ANALOGIA DE WITHOLD MAŃCZAK (1958) [1] (1) É mais comum AS NOVE “TENDÊNCIAS” DA ANALOGIA DE WITHOLD MAŃCZAK (1958) [1] (1) É mais comum que as palavras MAIS COMPRIDAS sejam REFORMADAS no modelo de palavras MAIS CURTAS do que o processo inverso, salvo nos paradigmas flexionais. v Ingl. ant. , huswif “ama de casa” > hussy. v REFORMA > housewife (morfemas plenos e explícitos: house + wife). v Hussy foi restrito semanticamente, tornando-seperjorativa. Hoje, hussy refere a uma menina levada e malcomportada, uma “sapeca”. NB Esta “tendência” de Mańczak concorda com a quarta “lei” de Kuryɫowicz, ou seja, “quando uma forma sofre reformulação analógica, a forma nova ocupará a função primária e a forma antiga fica apenas em funções secundárias”. (2) A ALTERN NICA NOS RADICAIS LÉXICOS tende a ser ABANDONADA antes de ser INTRODUZIDA. v Este processo é o que acabamos de ver na maioria dos exemplos de nivelamento analógico, como no caso de amons > aimons e amez > aimez no francês. Contudo, observe que esta segunda tendência de Mańczak contradiz a primeira lei de Kuryɫowicz que prevê que “uma marcação complexa substituirá uma marcação simples”.

AS “TENDÊNCIAS” DE MAŃCZAK [2] (3) As formas FLEXIONAIS MAIS COMPRIDAS tendem a ser AS “TENDÊNCIAS” DE MAŃCZAK [2] (3) As formas FLEXIONAIS MAIS COMPRIDAS tendem a ser reformadas no modelo das formas MAIS CURTAS com mais frequência do que o inverso, EXCETO nos casos em que uma forma exibe um AFIXO NULO e a outra manifesta um AFIXO EXPLÍCITO. v Verbo composto latino calefacere “aquecer” (lit. , “fazer quente”) > v REMODELADO na base da desinência infinitiva –āre, p. ex. , amāre > v Este neologismo analógico calefāre > Fr. , chauffer. (4) As DESINÊNCIAS NULAS geralmente são substituídas por DESINÊNCIAS PATENTES em lugar do inverso. v No inglês antigo e medieval alguns substantivos exibiam plurais nulos. v Alguns desses substantivos permaneceram na língua moderna, p. ex. , v deer, sheep, salmon, trout. v Porém, a maioria ganharam uma nova desinência aberta do plural, p. ex. , v Word ~ word > word ~ words.

AS “TENDÊNCIAS” DE MAŃCZAK [3] (5) As terminações monossilábicas tendem (7) As formas do AS “TENDÊNCIAS” DE MAŃCZAK [3] (5) As terminações monossilábicas tendem (7) As formas do presente tendem a ser trocadas por variantes polissilábicas a influenciar o remodelamento com mais frequência do que o inverso. v Em basco, a inflexão tradicional do caso alativo (que indica o significado “a” ou “para” um lugar) é –a, p. ex. , v v “para Zarautz” = Zarautzera. As formas do indicativo geralmente provocam a reforma de outras modos verbais e não o inverso. v v Alguns falantes trocaram esta forma monossilábica por uma outra flexão dissilábica –era, p. ex. , v (6) “para Zarautz” = Zarautza. dos outros tempos verbais com mais frequência do que o inverso. O subjuntivo português foi remodelado parcialmente nas formas do indicativo, em particular, a 1ª pess. sing. do pres. do indic. (veja o próximo slide) No latim antigo, a desinência da 3ª pessoa do singular do presente do indicativo era –t e sua terminação correspondente no perfeito do indicativo era –d: v (pres. ) amat : (perf. ) amāvid. v No latim clássico, entretanto, os dois paradigmas apresentam –t: v (pres. ) amat : (perf. ) amāvit.

VERBOS PORTUGUÊS COM MODIFICAÇÕES DE E E O RADICAIS 2ª conjugação: uertĕre “verter” Lat. VERBOS PORTUGUÊS COM MODIFICAÇÕES DE E E O RADICAIS 2ª conjugação: uertĕre “verter” Lat. clás. 3ª conjugação: seruīre “servir” Pt. arc. Pt. mod. Lat. clás. Pt. arc. Pt. mod. 1ª p. sg. pres. indic. uĕrtō vɛrto vẹrto sĕruĭō svrvo sirvo 2ª p. sg. pres. indic. uĕrtis vɛrtes vęrtes sĕruĭs sɛrves sęrves 3ªp. sg. pres. indic. uĕrtit vɛrte vęrte sĕruĭt sɛrve sęrve v A vogal da 1ª pessoa do singular da 2ª conjugação se fecha um grau: v Ptg. ant. , verto [vɛrtu] > METAFONIA POR [u] (vogal alta/fechada posterior átona) v > ptg. mod. , verto [vẹrtu].

v A vogal da 1ª pessoa do singular da 3ª conjugação se fecha dois v A vogal da 1ª pessoa do singular da 3ª conjugação se fecha dois graus: v Ptg. arc. , servio [sęɾvjo] > METAFONIA POR IODE (vogal alta/fechada anterior átona) v (> Ptg. ant. , servo [sẹɾvu] > METAFONIA POR [u] > ptg. mod. , sirvo [siɾvu]. v Todo o singular e a 3ª pessoa do pl. do pres. do subj. quase sempre teve a mesma raiz da 1ª pessoa do sing. do pres. do indic. v Seguindo esta relação geral e bem estabelecida, e a despeito do efeito metafônico do –a final, a palavra vęrta (e muitas outras similares) se tornou vẹrta e sẹrva se tornou sirva. v Tal é a força da analogia no seu triunfo sobre a força da modificação fonológica. v Nos verbos da 3ª conjugação portuguesa, esse desenvolvimento analógico foi apoiado pela analogia com a 1ª e 2ª pessoas do pl. do pres. do subj. também, em que o desenvolvimento do i era fonológico, p ex. , sĕruĭāmus > sirvamos.

AS “TENDÊNCIAS” DE MAŃCZAK [4] (8) Os topônimos preservam arcaísmos nas suas flexões de AS “TENDÊNCIAS” DE MAŃCZAK [4] (8) Os topônimos preservam arcaísmos nas suas flexões de caso melhor do que substantivos comuns. v Em basco, alguns topônimos conservam as desinências locativa e alativa antigas -n e -a. v A maioria das frases nominais no basco moderno adquiriram uma desinência locativa nova –an (< *-gan) e outra alativa em –ra. (9) quando um topônimo sofre um processo relacionado com a analogia, as suas formas flexionais casuais afetam as não-locais mais do que o inverso. v O nomes de algumas cidades alemães contêm uma desinência antiga locativa -en, p. ex. , Baden -Baden (Um balneário cujo nome deriva da palavra Bad “banho”. )

A MORFOLOGIZAÇÃO v As vezes, o que era antigamente uma palavra autônoma (morfema livre) A MORFOLOGIZAÇÃO v As vezes, o que era antigamente uma palavra autônoma (morfema livre) se vê reduzida a um morfema preso, num processo tipicamente perdendo seu antigo significado lexical por uma função gramatical (a gramaticalização). Alguns linguistas asseveram que TODOS os morfemas presos se formam desta maneira. v Basco antigo: *kide “companhia”, “associação” (no basc. mod. esta palavra quer dizer “colega”, “sócio”, “companheiro”). v *kide começou a ser utilizado com sintagmas nominais genitivas para expressar o conceito de “na companhia de”, p. ex. , v gure “nosso” (< gu “nós”) + *kide + art. def. –a + inflexão do caso locativo –n (“em”) > *gure kidean “na nossa companhia”, cf. gure etxean “na nossa casa”. v O conjunto da flexão genitiva -(r)e + *kidean > -(r)ekin (flexão do caso comitativo = “com”), p. ex. , v Gurekin (“conosco”). Nirekin (“comigo”). Neskarekin (“com a menina”). v *kide desapareceu da língua no sentido original de “companhia”, deixando apenas a nova inflexão.

A MORFOLOGIZAÇÃO DE MENTE v O substantivo no latim clássico mens “mente” havia o A MORFOLOGIZAÇÃO DE MENTE v O substantivo no latim clássico mens “mente” havia o radical ment- e o caso ablativo mente (que geralmente expressava sentidos preposicionais). v No latim tornou-se comum usar mente (abl. ) + adjetivos concordando com o gênero, número e caso com mente (fem. , sing. , abl. ) para expressar o estado de ânimo em que uma ação foi feito: Devota mente “com a mente devota”. Clara mente “com a mente clara”. v Inicialmente, não era possível utilizar a construção com adjetivos que não denotasse atitudes mentais. Outros adjetivos com significados como “novo”, “igual”, “óbvio” não podiam aparecer com mente porque o resultado não teria feito sentido, p. ex. , “com uma mente nova”, “com uma mente igual”. v Num determinado momento, os falantes começaram a reinterpretar a presença de mente como uma simples indicação da MANEIRA em que uma ação foi feita e não como indicação do estado de ânimo do agente. Isso possibilitou construções como lente mente e dulce mente (ainda com a concordância feminina). Mente não era considerado mais uma forma flexionada de mens, mas um marcador da função adverbial. v Nas línguas neolatinas atuais, -mente é uma sufixo para formar advérbios de maneira e pode aplicar-se a quase qualquer adjetivo, p. ex. , igualmente (< igual), absolutamente (< absoluta). v NB esp. e ptg. mod. , lenta- y seguramente / lente e seguramente (só o último adjetivo na sequência leva o sufixo), mas fr. mod. , **lente et sûrement (lentemente et sûrement): o radical adjetival não pode ser separado do sufixo.

A MORFOLOGIZAÇÃO DE -LY EM INGLÊS v Ingl. ant. , lic “corpo” > lich A MORFOLOGIZAÇÃO DE -LY EM INGLÊS v Ingl. ant. , lic “corpo” > lich (arcaico) v NB lich-gate “portão coberto à entrada de cemitério, onde o caixão aguarda a chegada do padre”. v Formas derivadas de lic: v → gelic “o que possui um corpo comum” > like “como”: v p. ex. , She is like you “Ela é como você”. v → substantivos + -lic “parecido a”, “semelhante a”, “com as características de”: v Fæderlic (cf. , ingl. mod. , father-like, fatherly) “paterno”, “como um pai”. v Manlic (cf. , ingl. mod. , man-like, manly) “másculo”, “viril”. v → adjetivos ganham o sufixo -lice (lic + inflexão) para significar “na maneira de”, “. . . -mente”: v Slawlice “lentamente” (> ingl. mod. , slowly). v Cwiculice “rapidamente” (> ingl. mod. , quickly).

A MORFOLOGIZAÇÃO DE PRONOMES EM AFIXOS v Um outro processo muito comum é os A MORFOLOGIZAÇÃO DE PRONOMES EM AFIXOS v Um outro processo muito comum é os pronomes retos autônomos que se vêm reduzidos a afixos para indicar concordância verbal ou para marcar a posse em frases nominais. v Basco – o verbo joan “ir”: v Marcador de concordância é um prefixo. Marcador de concordância é um sufixo. v noa “eu vou” (ni – eu) dut “eu o tenho” (ni – eu) v hoa “tu vas” (hi – tu [íntimo]) duk “tu o tens” (hi – tu [íntimo]) v doa “ele, ela vai” (sem pronome) du “ele, ela o tem” (sem pronome) v goaz “nós vamos” (gu – nós) dugu “nós o temos” (gu – nós) v zoaz “vós vais” duzu “vós o tendes” (zu – vós [neutro]) v doaz “eles, elas vão” (sem pronome) (zu – vós [neutro]) dute “eles, elas o têm” (sem pronome). v A maioria (mas não todos) desses afixos bascos são tão semelhantes ao pronome correspondente que fica bastante claro que os afixos derivam de uma incorporação dos pronomes livres no radical verbal. Os demais casos são intrigantes, mas e possível que se trate de uma alternação antiga no radical pronominal que sofreu nivelação até o ponto de desaparecer.

CLITICIZAÇÃO v O primeiro passo no caminho de morfologização (gramaticalização) é frequentemente a cliticização. CLITICIZAÇÃO v O primeiro passo no caminho de morfologização (gramaticalização) é frequentemente a cliticização. v O morfema livre se vê reduzido a um clítico: v v Um clítico é algo que é menos que uma palavra independente, mas que é algo mais do que um afixo preso. Sempre coocorrem com um outro elemento que serve de “apoio” estrutural e fonológico. O clítico forma uma única unidade prosódica com seu apoio. Também, os clíticos apresentam certas limitações com respeito à posição em que podem ocorrer relativo ao apoio. Um exemplo clássico de cliticização é o caso dos pronomes oblíquos das línguas neolatinas. v Latim clássico: Iōannēs librum Mariae dabit. v Latim tardio: Iōannēs illum librum a Mariae dāre habet. v Fr. , Jean donnera le livre à Marie. Ptg. , O João dará o livro à Maria. v Esp. , Juan dará el libro a María. Ital. , Gianni darà il libro a Maria. v Latim clássico: Hīc illum illī dabit. Latim tardio: Ille illum illī dāre habet. v Fr. , Il le lui donnera. Ptg. , Ele lho dará ~ ele dar-lho-á. v Esp. , Él te lo dará. Ital. , Il le lo darà. v No francês moderno coloquial a função dos pronomes clíticos está se tornando muito parecida aos marcadores de concordância no verbo para objetos e sujeitos, como há o basco e o suaíli ou algumas línguas caucásias. v Fr. mod. col. , Jean, il te le donnera, le livre. < Fr. mod. form. , Jean te le donnera.

A MORFOLOGIZAÇÃO DE REGRAS FONOLÓGICAS v A morfologização também pode referir à situação em A MORFOLOGIZAÇÃO DE REGRAS FONOLÓGICAS v A morfologização também pode referir à situação em que uma regra fonológica regular para de ser produtiva de forma que seus efeitos fiquem restritos a determinadas palavras e formas que estavam presentes na língua quando a regra fonológica foi ativa. v O inglês medieval tinha sete vogais em pares contrastantes diferenciados pela duração: v Vogais curtas: /i e ɛ a ɔ o u/ X Vogais compridas: /iː eː ɛː aː ɔː oː uː/. v O RELAXAMENTO TRISSILÁBICO: v Em certas circunstâncias fonológicas, particularmente quando eram seguidas por dois ou mais sílabas, as vogais compridas se contraíram: v /iː/ > /i/, /eː/ > /e/, /ɛː/ > /ɛ/, /aː/ > /a/, /ɔː/ > /ɔ/, /oː/ > /o/, /uː/ > /u/, p. ex. , v Sane [saːnə] : sanity ['sa. nɪ. tɪ]. v Sign [siːn] : signify ['sɪg. nɪ. fɪ]. v Serene [se'ɹeːnə] : serenity [se'ɹe. nɪ. tɪ]. Profound [pɹo'fuːnd] : profundity [pɹo'fun. dɪ. tɪ]. Esse processo constituía uma regra que determinava o que era pronunciável em inglês medieval.

RELAXAMENTO TRISSILÁBLICO (CONT. ) v Dois acontecimentos importantes alteraram o sistema vigente do inglês RELAXAMENTO TRISSILÁBLICO (CONT. ) v Dois acontecimentos importantes alteraram o sistema vigente do inglês medieval: (1) Todas as vogais compridas mudaram sua qualidade fonética de uma maneira dramática na Grande Mutação Vocálica (“Great Vowel Shift”): 1 a. /i: / > /ə ɩ/ (. . . > /ai/) 1 b. /u: / > /ə u/ (. . . > /au/) pine /pi: n/ “pinheiro” (> [pɑ ɪn]). doun /du: n/ “para abaixo” (> down [dɑ ʊn]). 2 a. /e: / > /i: / gees /ge: s/ “gansos” > (geese [gɪjs]). 3 a. /ɛ: / > /e: / (. . . > /i: /) bead /bɛ: d/ “bolinha”(> [beːd]). 2 b. /o: / > /u: / goos /go: s/ “ganso” (> goose [gu ws]). 3 b. /ɔ: / > /o: / (. . . > /ə ʊ/) gote /gɔ: tə/ “cabra” (> goat [gə ʊt]). 4. /a: / > /ɛ: / name /na: mə/ “nome” (> [nɛːm]). (5. (/ɛ: / >) /e: / > /i: /: [beːd] > [bɪjd]) (6. (/a: / >) /ɛ: / > /eː/ > / eɩ/: [neːm] > [n eɪm]) O resultado dessa mudança foi que cada vogal comprida ficou bastante diferente da sua correspondente vogal curta: [əɪ] : [ɪ] – [iː] : [e] – [eː] : [ɛ] – [ɛː] : [a] – [ɔː] : [ɒ] – [uː] : [o] – [əu] : [ʊ]. (2) Crucialmente, a regra de relaxamento trissilábico parou de operar na fonologia do inglês. Ao deixarem de ser aplicada de forma sistemática, as alternações vocálicas passaram a ser variantes morfológicas que marcam o adjetivo e seu substantivo e que têm de ser aprendidas em cada instância pelo falante quando o indivíduo adquire a língua.

RELAXAMENTO TRISSILÁBICO MORFOLOGIZADA Hoje, o resultado da lei de relaxamento trissilábico distingue classes morfológicas: RELAXAMENTO TRISSILÁBICO MORFOLOGIZADA Hoje, o resultado da lei de relaxamento trissilábico distingue classes morfológicas: adjetivo/substantivo (vain/vanity, grave/gravity, sane/sanity), substantivo/verbo (pronounce/pronunciation), base/ derivado (grain x granary). Verbose [vɜ. bəʊs] “verboso” : verbosity [vɜ'bɒ. sɪ. tɪ] “verbosidade” Sane [seɪn] “são” : sanity ['sæ. nɪ. tɪ] “sanidade” Profound [pɹə‘fɑʊnd] “profundo” : profundity [pɹə’fʌn. dɪ. tɪ] “profundidade” Profane [pɹə. feɪn] “profano” : profanity [pɹə'fæ. nɪ. tɪ] “profanidade” Humane [hjuː’meɪn] “humano” : humanity [hjuː'mæ. nɪ. tɪ] “humanidade” Cone [kəʊn] “cone”: conical ['kɒ. nɪ. kɫ ] “cônico” Mode [məʊd] “modo” : modify ['mɒ. dɪ. fɑɪ] “modificar” Pirate ['pɑɪ. ɹət] “pirata” : piracy (['pɪ. ɹə. sɪ] >) ['pɑɪ. ɹə. sɪ]“pirataria”, “piratagem” Obese [əʊ'bɪjs] “obeso” : obesity [ə'bɪj. sɪ. tɪ] “obesidade”

Grain [gɹeɪn] “grão” : granular [‘gɹæ. njulə] “granular” Grave [gɹeɪv] “grave” : gravity ['gɹæ. Grain [gɹeɪn] “grão” : granular [‘gɹæ. njulə] “granular” Grave [gɹeɪv] “grave” : gravity ['gɹæ. vɪ. tɪ] “gravidade” Serene [sə‘ɹijn] “sereno” : serenity [sə’ɹɛ. nɪ. tɪ] “serenidade” Clean [klijn] “limpo” : cleanliness ['klɛn. lɪ. nəs] “limpeza” Saline [seɪ. lɑɪn] “salino” : salinity [sə'lɪ. nɪ. tɪ] “salinidade” Crime [kɹɑɪm] “crime” : criminal ['kɹɪ. mɪ. nɫ ] “criminal” Sign [sɑɪn] “signo” : signify ['sɪg. nɪ. fɑ ɪ] “significar” Type [tɑɪp] “tipo” : typical [‘tɪ. pɪ. kɫ ] “típico” Vain [veɪn] “vão” : vanity [‘væ. nɪ. tɪ] “vaidade” Private ['pɹɑɪ. ɹət] “privado” : privacy ['pɹɑɪ. və. sɪ] (USA) ~ ['pɹɪ. və. sɪ] (UK) “privacidade” Grain [gɹeɪn] “grão” : granary['gɹeɪ. nə. ɹɪ] (USA) ~ ['gɹæ. nə. ɹɪ] (UK) “celeiro” Code [kəʊd] “código” : codify ['kɒ. dɪ. fɑɪ] (USA) ~ ['kəʊ. dɪ. fɑɪ] (UK) “codificar” Pronounce [pɹə‘nɑʊnts] “pronunciar” : pronunciation [pɹə’nʌn. sɪ. eɪ. ʃn ] ~ [pɹə‘nɑʊn. sɪ. eɪ. ʃn ] “pronúncia”

UM CASO ROM NICO DE REGRAS FONOLÓGICAS MORFOLOGIZADAS v Também é possível que uma UM CASO ROM NICO DE REGRAS FONOLÓGICAS MORFOLOGIZADAS v Também é possível que uma regra puramente fonológica se torne morfologizada pelo efeito de mudança fonológica. v v v O ibero-romance tinha dois graus de abertura entre as vogais médias anteriores /e/ e /ɛ/ (e entre as vogais correspondentes médias posteriores, /o/ e /ɔ/). O galego e o português são as únicas línguas neolatinas que continuam este sistema original. (1) Nas variedades ibero-românicas ancestrais do castelhano e nas outras variedades espanhóis, /ɛ/ > [jɛ] quando foi tônica e continuou sendo /ɛ/ em ambientes atônicos: v Pré-castelhano: v 2ª sg. [pɛ ɾdes] > [pjɛ ɾðes]. v 3ª sg [pɛ ɾde] > [pjɛ ɾðe]. 3ª pl. [pɛ ɾden] > [pjɛ ɾðen]. v Infinitivo: [pɛɾdér], v [sɛntáɾ], [sɛntámos], [sentáis] X [sjɛ nto], [sjɛntes], [sjɛntan] v v 1ª sg. [pɛ ɾdo] > [pjɛ ɾðo]. Pedra [pɛ dɾa] > piedra [pjɛ ðɾa] X pedrero [pɛðɾe ɾa]. 1ª pl. [pɛɾdémos], 2ª pl. [pɛɾdéis]. (2) O /ɛ/ atônico > [e], assim que o fonema /ɛ/ fusionou com o fonema /e/ (e /ɔ/ fusionou com / o/). Assim, o sistema vocálico do castelhano perdeu uma oposição de abertura entre as vogais anteriores médias (médias-altas e médias-baixas): v p. ex. , esp. mod. , /i e a o u/ : ptg. , fr. , ital. mod. , /i e ɛ a ɔ o u/ v O fonema /e/ original nunca ditongou (vencér : vénzo, pésca : pescádo). v Então, a motivação pela ditongação se morfologizou. A alternância no espanhol moderno ficou imprevisível em termos sincrônicos, porque, sem referência à etimologia e a história da língua, é impossível prever quais instâncias de /e/ ditongam e quais não ditongam quando estão tônicas.

A CLASSIFICAÇÃO LINGUÍSTICA POR TIPOLOGIA MORFOLÓGICA [1] v Wilhelm von Humboldt (1762 – 1835), A CLASSIFICAÇÃO LINGUÍSTICA POR TIPOLOGIA MORFOLÓGICA [1] v Wilhelm von Humboldt (1762 – 1835), Friedrich von Schlegel( 1772 -1829). v AS LÍNGUAS ISOLANTES: v Cada palavra consiste em um único morfema livre. Não há morfologia flexional em forma de morfemas presos. v Vietnamita: v Khi tôi dến nhà bạn tôi, chúng tôi bắt v Quando eu vir casa amigo eu, plural eu começar dầu làm bài. fazer lição. v “Quando eu cheguei à casa do meu amigo, começamos a fazer lições”. v Mandarim: v Wǒ mǎi júzi v eu comprar laranja chī. comer. “Eu comprei laranjas [para] comer. v Muitas línguas de África Ocidental Kwa (ioruba, akan, igbo, eve) v Samoano:

TIPOLOGIA MORFOLÓGICA [2] v AS LÍNGUAS AGLUTINANTES: v Uma palavra pode abranger vários morfemas, TIPOLOGIA MORFOLÓGICA [2] v AS LÍNGUAS AGLUTINANTES: v Uma palavra pode abranger vários morfemas, mas cada morfema é claramente uma forma distinta. Os morfemas numa palavra estão organizados em sequências. v Finlandês, húngaro e as as demais línguas fino-úgricas, o turco e as outras línguas turcomanas, o basco (língua isolada), suaíli e muitas outras línguas bantas e muitas línguas australianas e indígenas, p. ex. , v TURCO MODERNO: v Yap –tığ –ım –hata –yı memleket –i tanı –ma –m –a ver –ebil –ir –siniz. v Fazer-[particípio]-meu erro-[objeto] país-[objeto] conhecer-não-[gerúndio]- meu-para dar-poder-[tempo]-você. v “Você pode atribuir o erro [que] eu fiz a eu não conhecer o país”. v Avrupa + -lı +-laş + -tır + -ıl + -amı + -yan + -lar + -dan + -sınız. v Europa – de – tornar-se – causa – passivo – incapaz – o que – plural – de/desde – você. v “Você é um daqueles que são incapazes de serem causados a ser europeus”

TIPOLOGIA MORFOLÓGICA [3] v AS LÍNGUAS FLEXIONADAS: v Nestas línguas, uma palavra tipicamente se TIPOLOGIA MORFOLÓGICA [3] v AS LÍNGUAS FLEXIONADAS: v Nestas línguas, uma palavra tipicamente se compõe de vários morfemas, mas as divisas entre as morfemas são extremamente difíceis ou inclusive impossíveis de definir. v De fato, os vários morfemas estão “embrulhados” num pacote muito coeso. v Latim, grego, sânscrito, russo, inglês antigo, muitas línguas indígenas norte-americanas. v {arm-} + {-a} {vir-} + {-um} + {-que} {can-} + {-ō} v Arma + [neutro, plural, objeto direto]. v homem + [masculino, singular, objeto direto] + conjunção coordenativa. v cant- + [1ª pess. sing. do pres. do modo indic. da voz ativa]. v “As armas e o homem canto” (Virgílio, Aneida, I. 1. 1).